terça-feira, 9 de maio de 2017

A participação feminina no eSports aumentou, mas será o suficiente?

A cena competitiva feminina no eSports têm ganhado bastante espaço, mas ainda é o suficiente?

Fonte: Fábio Tito e G1
Essa semana, noticiamos a história de Sly Buehl Rigilio, uma mulher trans que teve a inscrição sua e de seu time (composta por mulheres trans) negadas pela ESL, por questões aparentemente documentais. Porém, apesar da situação polêmica e frustrante, não se pode negar que a "Counter-Strike: Global Offensive 5on5 Female Open Summer 2017" - evento que Sly tentou se candidatar - é hoje um território empoderado das mulheres - ainda cinza e pequena frente ao potencial de participação feminina.

Casos como o de Sly ou mesmo de tantas outras mulheres, cis ou trans, têm chamado a atenção em manter as mulheres incluídas na cena eSports do mundo, obrigando seus organizadores a alterarem as regras para tornar a cena competitiva mais plural em termos de gênero.

Mas será o suficiente?

O Kotaku.com, em seu artigo "Ten Years Ago, Dead Or Alive Launched The Careers Of The Highest-Paid Women Pro Gamers" de Maddy Myers (em uma tradução livre, "Dez anos atrás, Dead or Alive lançou a carreira das mulheres gamer profissionais mais bem pagas"), conta a história de Vanessa Arteaga, a pro-gamer jogadora de Dead or Alive que iniciou sua carreira em casa como uma adversária do próprio irmão em Dead or Alive 2, um game que a fez se apaixonar pelo simples fato de ter mais protagonistas femininas em um único jogo.

Seu maior trunfo, foi na CGS de 2006 onde, por uma possibilidade de cota de participação permitida de mulheres (ainda de forma mista na época), ela derrotou todos os outros competidores em Dead or Alive 4, na grande maioria, homens. Em 2007, ela perdeu apenas uma rodada entre quinze, recebendo no total USD 20 mil dólares. Porém isso a fez ser a nona mulher mais bem paga na época porém a 2028a pessoa mais bem paga no ranking geral. Isso acontece pois a cena feminina no eSports de alto nível ainda é muito pequena.

Sasha “Scarlett” Hostyn (única competidora de Starcraft II) e Ricki Ortiz (décima quinta no ranking de "Shoryuken’s Street Fighter V player rankings") são outros exemplos similares ao de Arteaga. Elas ainda consideradas exceção na cena de competições de alto padrão.

Mas por que há tão poucas mulheres na cena competitiva? 

Ao contrário do que muitos pensam, as mulheres estão mais presentes no mundo dos games do que os homens. Só no Brasil, segundo uma matéria do G1 em Março de 2016, mulheres são 52,6% do público aqui nas terras tupioniquins. A resposta é tão básica quanto: elas sofrem assédio.


eSports ainda é um esporte machista, e apesar de haver ligas específicas para mulheres, a adesão ainda é baixa. Na teoria, todas poderiam se inscrever em muitos eventos mistos, mas não o fazem pois estão expostas à agressões e abusos sistemáticos. Esse eventos colocam as mulheres em situações complicadas, alguns até selecionando mulheres pela aparência e não pela qualidade técnica. Isso causa uma perda na confiança das próprias mulheres que não enxergam seu espaço e acabam não entrando no mundo do eSports.


Com o avanço das competições, os eventos em sua maioria partiram para ligas separadas entre homens e mulheres, trazendo alguns benefícios, como maior respeito às qualidades profissionais das pro-gamers. A própria CGS que Vanessa participou em 2007, acabou sendo separada em duas ligas diferentes nos anos seguintes. Porém, apesar da redução do assédio, isso aumentou um abismo onde as mulheres mais bem pagas nas suas ligas estão longe dos milionários (homens) no top do mundo do eSports. Sem falar na estrutura de treino, salários e beneficios que os Pro-Gamers masculinos têm.

Por essa razão, casos como o de Dianne Lynch, presidente da faculdade Stephens College em Columbia, visam diminuir essa diferença. Em entrevista à ESPN,  Lynch disse estar recrutando e oferecendo bolsas para mulheres com o objetivo de montar um time pro de Overwatch, da Blizzard. O projeto tem como objetivo garantir que as mulheres consigam ter sucesso e ter escolhas em qualquer ambiente e em qualquer profissão, incluindo eSports. Lynch, afirma que os maiores desafios serão quanto às questões toxicas do ambiente e sem mencionar a questão do assédio diretamente, diz que se as mulheres conquistaram seu espaço em tantos outros esportes, por que não no eSports? 

Dianne Lynch - Fonte: ESPN.com
Essa ação visa primeiramente trazer de volta a confiança e a questão da capacidade feminina na modalidade, mas ainda pode ser que demore muito para que as mulheres consigam disputar em condições de igualdade com os homens. Questões como o de Sly (mulher trans rejeitada de competir), acentuam ainda mais essa diferença. Já faz uma década desde que Vanessa participou de uma liga mista jogando Dead or Alive antes delas serem separadas entre homens e mulheres, e talvez demore mais um pouco para voltar a competir nesse formato enquanto não percebemos que o maior problema do assédio e da desigualdade, presente em todos os esportes, ainda é a falta de respeito, igualdade e oportunidades.

Fontes:


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