quarta-feira, 13 de setembro de 2017

Discussão :: Não é fácil ser um Gamer na Africa



Por Fernando Jácomo

Papo reto: quando você ouve falar do continente africano, o que você pensa em primeiro lugar? Tribos? Grupos violentos?  Leões e elefantes?

Pois bem, esse é um preconceito que diversos historiadores têm tentado desmistificar sobre o continente africano. Afinal de contas, o continente africano abrigou diversas civilizações de grande influência tecnológica e cultural como os Egípcios e os Kush. Hoje, o continente conta com países que são bons exemplos da utilização das tecnologias para o envolvimento social, como o caso da primavera árabe no Egito, que se apoderou das redes sociais (como facebook e twitter) para unir os manifestantes e ganhar notoriedade global.

Mas ainda assim, muitas pessoas pensam que o continente é formado apenas por tribos e leões. E esse pensamento preconceituoso parece atingir o departamento de marketing de grande produtoras de games como caso da Blizzard.

Recentemente, em uma reportagem no Kotaku, algumas histórias de gamers africanos puderam ser compartilhadas, como a de Shuaib Sookia da Maurícia e de Henré Botha e Jody Fourie da Africa do Sul, que alegam não encontrarem servidores disponíveis para poderem jogar. Fãs de Overwatch, esses jogadores logam em servidores europeus e americanos sofrendo com enorme latência e pouco aproveitamento. 

No geral, os jogadores afirmam que, apesar do game ter uma diversidade de personagens grande (incluindo africanos), o game não possui a mesma representatividade de jogadores e, apesar da liga de Overwatch ser mundial, dificilmente jogadores africanos terão condições de disputarem enquanto a Blizzard ou outras empresas não investirem em servidores e tecnologias para processar seus jogos no continente. 

O caso não é exclusivo da produtora de Overwatch, o problema se estende para outras franquias competitivas como Counter-Strike, DOTA 2, Battlefield 4 e Call of Duty. Dificultando muito o cenário de eSports surgir com a mesma força no continente.

É evidente que os problemas de investimentos nas mídias e a pluralidade social do continente impedem de vê-lo como um único mercado a ser melhor trabalhado e explorado pelas produtoras de games, entretanto não há um plano de ação efetivo para isso mudar. No final, o problema acaba na padronização das justificativas das produtoras que, segundo o artigo,  caminha entre "alto custo" e "poucos jogadores". 

As empresas detalham que o mesmo problema ocorre no Oriente Médio e na Rússia, que acabam entrando no mercado asiático. Onde colocar China, Emirados Árabes e Rússia em um único mercado se torna  uma estratégia preguiçosa de marketing... porém convenientemente econômica.

Há alguns anos tive a oportunidade de conhecer alguns locais como Cairo (Egito) e Joanesburgo (Africa do Sul), e o que me deparei foi com cenários políticos-econômicos-sociais totalmente diferentes. É impossível chamar tudo de "Africa" e tratar como um mercado único.

Seria mesmo uma questão de não setorizar melhor o continente? Não seria uma questão de olhar a Africa de forma mais estratégica? Será mesmo que existem tão poucos jogadores e espaços para desenvolvimento econômicos de empresas grandes como EA e Blizzard?

Países como Nigéria, África do Sul e Egito têm se destacado muito em questões econômicas - muitas vezes mais do que o Brasil (e nós temos servidores tupiniquins em muitos jogos). 

Então qual seria a principal razão? Até que ponto essa justificativa é pautada pela miopia que existe acerca do continente Africano? 

Essa seria a chance de grandes produtoras investirem nas regiões africanas de forma estratégica fomentando as comunidades de forma regionalizada - mas integrada mesmo assim. Precisamos que as comunidades gamers se enriqueçam e cresçam cada vez mais globalmente. Não há como alguém sair perdendo nessa.

Afinal de contas, como já se dizia em Overwatch: O mundo precisa de heróis!

Fernando Jácomo é analista de sistemas com MBA em Gestão de Negócios. Estudante de História, está lendo sobre coisas interessantes sobre a história África e acredita que a Internet e a Multimídia têm papel fundamental na história do continente.

Fontes:
Leia o artigo do Kotaku (em inglês) https://kotaku.com/it-isn-t-easy-being-an-overwatch-fan-in-africa-1806133900
Leia a reportagem da BBC sobre a relevância história e tecnológica da Africa para o mundo: http://www.bbc.com/portuguese/internacional-40484880
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