terça-feira, 15 de maio de 2018

Eu não sou um homem fácil :: Uma lição de empatia em um mundo as avessas

Eu Não Sou um Homem Fácil (Je ne suis pas un Homme Facile), disponível no Netflix mostra uma sociedade invertida onde as mulheres dominaram o mundo e os homens desde os primórdios.


Discutir Feminismo é um pouco difícil para quem vive na/da Internet hoje em dia. Enquanto uma parcela da população (na maioria homens) acredita que há um exagero por parte das ativistas, a outra parte tenta de todas as formas lutar contra a maré machista que ainda domina o panteão de poder social.

Surge então "Eu Não Sou um Homem Fácil" (Je ne suis pas un Homme Facile) para ajudar na discussão. Filme original da Netflix, ele conta a história de Damien (Vincent Elbaz), que um dia acorda em um mundo onde as mulheres e os homens inverteram os seus papéis na sociedade. O mundo mudou, agora são as mulheres que têm poder sobre os homens.

Apesar da sinopse, existe um equívoco que as pessoas podem ter: O mundo paralelo e distópico que Damien entra, não é aquele em que as feministas ganham. Esse é o cenário em que as mulheres assumem os mesmos papéis que atribuímos à um machista. Não há igualdade e não há vingança - portanto, não há feminismo. Esse é um mundo onde homens agem como mulheres e as mulheres agem como machistas.

A proposta do filme não é mostrar um mundo vitorioso, e sim um mundo caótico e distópico, onde Damien, um tarado machista (quase misógino) acaba provando do próprio veneno.


Um pequeno spoiler - Para o protagonista, o mundo está errado. Homens deixam as pernas depiladas de fora enquanto mulheres usam ternos. Ele sonha em um dia em ver mulheres de vestido sendo seduzidas como era no seu mundo. Entra em cena seu interesse amoroso, Alexandra (Marie-Sophie Ferdane) que então o leva para uma boate gay. Nela, mulheres usam vestido e homens usam ternos. O prazer de Damien é tão grande que sua parceira o questiona: você é gay?

É nesse ponto do filme que Eu Não Sou um Homem Fácil traz seu maior triunfo. Nele, vemos o quanto o padrão da hetero-normatização costuma definir o que é "normal". Esse padrão oprime o sexo feminino e trata qualquer ato de feminilização como algo desprezível. O pensamento de que mulher precisa agir como mulher e o gay precisa deixar de ser menos mulherzinha/afeminado é um conceito de poder desse grupo e nessa pequena cena, vemos o quanto isso é desconstruído.

Quer um exemplo? - Logo no meio do filme quando vemos de forma preconceituosa Damien, um macho-alfa agindo "como uma mulher" no mundo invertido para sobreviver, questionamos mentalmente o porquê dele fazer isso. A maioria dos homens não entende como ele se sujeita à isso e  nesse ponto, o diretor e os atores nos dão um presente: as mulheres passam por isso todos os dias. E para completar, qualquer ato transgressor dele é verbalizado pelas atrizes: "histérico!" - gritam elas. Muito significativo!

O ciclo de Damien só é quebrado quando efetivamente ele sente na pele o que muitas mulheres já sentiram em suas mãos no mundo "normal". Ele chora, se desespera, perde o controle e demonstra o quanto perde suas estruturas. Anos de resiliência, que nossas mulheres têm e que homens como Damien (ou os demais homens) não temos.

Porém não há resolução definitiva para a mentalidade machista. O filme é apenas um veneno e uma lição individual que poderia ser facilmente resolvida se os homens trabalhassem o melhor dos sentimentos humanos sociais: a empatia.

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