segunda-feira, 4 de junho de 2018

13 Razões :: Segunda Temporada aborda tema delicado de forma (muito) irresponsável

Contém Spoilers da segunda temporada de 13 razões

Atenção : Contém Spoilers da segunda temporada de 13 razões

Por Fernando Jácomo,

13 Razões (13 Reasons Why) chega à polêmica segunda temporada. Não que tenha ocorrido uma cena mais chocante do que o suicídio de Hanna Baker na primeira temporada, mas a polêmica se deu pelo fato de ter ocorrido uma segunda temporada.

Realmente é irreal demais pensar que a história de Hanna se encerraria tão facilmente. A vida real depende de amarrações que são muito bem exploradas por um elenco bem dirigido e preparado na segunda temporada da série.

Como toda a série do Netflix, há uma "barriga" entre o terceiro e sétimo episódio, excesso de flashbacks e principalmente situações e diálogos repetitivos. Fora isso, a série caminha bem, com ótimas atuações, montagens e questionamentos. A história de Hanna Baker se encerra então, cruelmente real, sem justiça, mas digna de um final que nos permite questionar sobre bullying e sobre nossas relações e afetos.

Começo do erro: a série quer uma terceira temporada - A segunda temporada continua explorando o bullying e no lugar de Hanna Baker, um novo agente causador de polêmica entra em cena: Tyler Down. O garoto, que já vinha dando sinais de perigo desde o ano passado, é vítima de violência e estupro (eu disse que tinha spoilers). Para alcançar o máximo de crueldade em cena e poder se equiparar com a cena de Hanna na banheira, Tyler é violado com um esfregão - fazendo com que pais façam campanha para a série ser removida do ar. E como em um dominó, tal evento sucumbe à um ápice: Tyler decide matar todos na Liberty.

E, apesar da cena de estupro e violência, é no arco de Tyler que, sob uma análise mais profunda, vemos um deslize imperdoável na série. E acredite, o tema abordado de forma irresponsável não tem relação direta com o estupro dele.


Romantização é um desserviço à sociedade - Primeiramente o arco do personagem se encerra de forma muito leviana: um estudante na linha de fogo negocia com um atirador. A série, que toda hora se diz contra a romantização de atos de violência, como a cena do suicídio, romantiza uma cena extremamente delicada para a sociedade estadunidense.

Por que não chamar as autoridades? Por que não chamar um adulto? Por que não avisar a escola? Por que simplesmente as pessoas não fugiram? Se a série quer conscientizar as pessoas do que elas devem fazer, ela mostra exatamente o que não se deve fazer.

Muito provavelmente esses serão pontos que serão abordados na terceira temporada, porém deixar isso em aberto, sem uma preparação narrativa, é um completo desserviço para a sociedade especialmente onde ela está inserida no contexto.

Colocar um disclaimmer (aviso) no início do episódio também não ajuda -  Em 14 de Fevereiro, um ex-aluno fortemente armado invadiu a escola Stoneman Douglas High School, em Parkland, e matou 17 alunos, deixando ainda vários feridos (fonte). Em uma situação como essa, o que nenhum aluno pode fazer é tentar negociar

Se o objetivo é mostrar um descaso da escola ou mesmo salientar que existe uma falha sistêmica o mais correto seria deixar Tyler matar o estudantes (sem cenas explícitas gratuitas obviamente), uma vez que tal atitude, chefiada por Clay, está errada.

Outras saídas sem violência ou romantização - Existem diversas formas de evitar uma cena de violência gratuita. Se fosse para evitar o ataque e deixar o personagem vivo, alguma amarração narrativa deveria ter sido feita, para que as pessoas saibam como procurar ajuda profissional diante de um problemão social desses e não arriscar a vida tentando negociar com um atirador psicologicamente abalado após um estupro.

Como disse, muito provavelmente esta será uma questão da terceira temporada, mas a criticidade do assunto não pode ser apenas um "gancho". A série, que se diz "Conscientizadora", mostra um problema (gravíssimo), mas não uma solução correta

Narrativamente da forma como está, o arco de Tyler acaba sendo desnecessário também. Anton Pavlovitch Tchekhov foi um dramaturgo que destacou um conceito narrativo em Teatro chamado "Arma de Chekcov", que diz: "Se no primeiro ato você tem uma pistola pendurada na parede, então, no último ato você deve dispará-la.'

As armas de Tyler são mostradas repetidamente episódio após episódio e infelizmente elas não são usadas. O chove-não-molha acaba passando uma mensagem muito irresponsável de redenção do que conscientização de fato. 

#voltaHanna
  

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